arte de uma outra forma. moda,Consciência ambiental, audiovisual,literatura e quadrinhos...uma nova forma de se expressar
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Borboletas em mim
Sentei na calçada e fiquei olhando os carros passarem,era uma rua como todas as outras,de casinhas coloridas com aparência alegre.A nossa era amarela com portões preto lá foi onde vive o que vou contar agora, foi onde descobri o mais lindo e perigoso dos sentimentos o amor.
A desde sempre um sentimento de tempo,o cheiro de carne assada na cozinha o pé de pimenta no quintal o alpendre ou o velho gurda-roupa que servia de esconderijo na infância e três mulheres com seus sonhos,desejos e lutas.
A dedicação a amargura e a esperança predominavam.
A grande mesa em frente da mangueira onde elas bordavam,comiam e alimentavam seus protegidos.
Cada uma tinha algo a acrescentar a cada criança que ali estava ou por tempo indeterminado ou fixo,ali permaneceriam até o próximo pôr do sol ou até o desabrochar de um ciclo,assim como borboletas que prontas voam do seu casulo.
Os dias se iniciavam com um assobio ritmado no portão,o pão,o café,a pegada marcada do piso da entrada, o quadro misterioso o absurdo bibelô,as cadeiras de balanço,o sofá de couro marrom em L e a tv onde predominavam programas infantis.A criatividade e a ilusão temperavam nossos corações.
Brincávamos em volta do pé de pitanga ou olhando o fundo do poço em que não se via o fundo.
Corre,corre,corre,corre tocou a campainha um vendedor de alho ou um louco de trejeitos afeminados ou o carteiro que hora traz noticia boa hora má e assim a casinha vai crescendo alimentada com maria mole,bolo de cenoura,tapioca, cuscuz...Tudo que sai da cozinha tem sabor de saudade.
A grande geladeira vermelha,o buffet azul a colher torta ... E sobre o pequeno batente apoiávamos nossos corpos enquanto observávamos correia na porta e a mulher a engomar e o homem a capinar.
O tempo passou e as lembranças marcam fundo as borboletas já voaram mas continuam a precisar dessas mulheres e dessa casa,todas são uma sem elas as borboletas não seriam tão coloridas como são.
Corre,corre,corre, corre,a campainha .As borboletas retornaram e com elas agora chegam casulos que precisam ser desabrochados e o ciclo se repete.
Texto:Samuel Siebra
Foto: Tirada no quintal da Tia Corina pela minha mãe, eu deveria ter por volta de dois anos e meio ou três anos...
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