arte de uma outra forma. moda,Consciência ambiental, audiovisual,literatura e quadrinhos...uma nova forma de se expressar
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Fortaleza 90
Era um prédio grande e abandonado como vários pelo centro.
Nas ruas ao redor havia uma grande movimentação,pois um prédio próximo havia pego fogo e as calçadas se enchiam de bombeiros, médicos,repórteres e curiosos.
Avancei por entre a multidão e entrei no prédio, como de costume fui subindo até o ultimo andar onde das grandes janelas podia-se ver parte da cidade,a orla marítima, o oceano atlântico e acompanhar o ir e vim dos barcos.
Mas naquela noite tudo estava diferente.Ao chegar no ultimo andar o único em que era habitado fui recebido por um cheiro forte de plastico queimado me causando enjoou.
Meninas esqueléticas e semi-nuas andavam anestesiadas pelo corredor,fui cruzando tudo aquilo em direção ao ultimo quarto do lado esquerdo, esperava encontrar o Costa ainda consciente mas pelo horário e pela situação ele já havia derrubado algumas garrafas de bebida.
Entrei no quarto no qual ele dividia por opção com alguns moradores de rua e falei com Teresa,uma mulatinha de quinze anos mau formados que saciava os desejos do Costa e ela me disse que ele desmaiou horas atras metade pelo álcool e outra pelas drogas,tentei acorda-ló mas ele parecia estar dopado,resmungou algumas palavras e voltou a dormir.
Sai do quarto desapontado pois sem a ajuda de Costa seria quase que impossível me livrar disso.
Cruzei novamente o corredor com as ideias borbulhando na cabeça nas escadas esbarrei com alguns homens que tentavam acender algo.
Ao chegar na rua e me livrar do cheiro de mofo e fumaça me senti livre , por alguns instantes a cabeça ficou vazia,fiquei sentindo o vento da noite com os olhos fechados imaginando não estar ali.Voltei a realidade com o som de uma sirene.
Precisava de uma bebida para por as coisas no lugar,Caribe?.
Caribe era uma bar temático localizado na zona sul da cidade,todas as noites dezenas de pessoas ocupavam as mesas do bar que abria por volta da meia noite e fechava um pouco depois das oito da manhã quando já se podia ver pessoas e carros pela rua e todo o movimento de uma grande cidade.
No caribe artistas,garotas de programa,estrangeiros,jovens de famílias ricas e todo tipo de pessoa disposta a diversão e esticar um pouco mais a noite interagiam entre si.
Cheguei por volta das duas da manhã ao bar,estava cheio e tocava no ambiente um ska muito alto deixando todos afim de mais uma dose de tequila.
Pedi uma cerveja no balcão e tentei relaxar,precisava encontrar Claudia rapidamente,como Costa eu não poderia contar.Pensei rapidamente em Chico um flanelinha que guardava os carros em torno do Caribe,fui até a calçada acendi um cigarro e caminhei a procura dele.
Chico estava ajudando um motorista a manobrar o carro em uma rua paralela ao bar.
- Eai Chico chega ai
- Eai brow
- Cara você viu o carro da Claudia ? aquela loirinha que vez ou outra chega ai comigo.
- Claudia?...Ah sei sim...ela saiu a cerca de meia hora atrás ai do bar
- Massa,sabe dizer se ela estava sozinha?
- Prestei atenção não macho
- Valeu Chico... Ei tem da branquinha ai?
- Sempre...
Voltei ao Caribe e consegui uma mesa do lado esquerdo. Após uma cerveja fui ao banheiro e aspirei aquele pó branco,que foi queimando minhas narinas ,esquentando meu sangue e acelerando meu coração e me deixando ligado para os acontecimentos que estariam por vim.
Fiquei sem ideias de onde ir e o que fazer,bebi mais algumas cervejas ,indo vez ou outra no banheiro para me ligar.
Certo momento um dos garçons veio até minha mesa e me entregou um bilhete, sem muitas explicações falou que Claudia havia deixado para mim caso eu aparecesse e que com o movimento da noite ele quase havia esquecido,agradeci e pedi outra cerveja.
Ao abrir o papel havia apenas um número de telefone e as palavras :
- Me liga urgente,Claudia.
Fiquei preocupado,paguei a conta e sai rapidamente do bar
-Ei sua cerveja...
-Deixa para próxima...
Parei em um telefone público e tentei ligar para o número que Claudia deixou e ninguém atendeu.
Acendi outro cigarro e sai andando,cada hora que se passava tínhamos menos tempo.
Após caminhar por alguns quarteirões notei está sendo seguido por um carro vermelho,continuei agindo normal até alcançar a avenida onde peguei um táxi e me lancei na madrugada....
CONTINUA . . .
Texto: Samuel Siebra
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